quarta-feira, 6 de maio de 2009

Obesidade é genética ?



Para responder a essa pergunta existem trabalhos internacionais patrocinados pelos governos da Inglaterra e os Estados Unidos.
A parte central do estudo genético da obesidade é denominada "Estudo do genoma humano relativo à obesidade e diabetes", centralizada no Reino Unido e com participação de vários países europeus. Nos EUA existe programa semelhante financiado pelo "National Institutes of Health
Um dado importante que esses estudos mostraram e que deve ser de conhecimento do publico em geral Os genes são herdados, obviamente, dos pais. Se um deles é obeso, o filho tem chances de ser obeso também, se ambos os pais são obesos e vem de famílias obesas as chances são maiores. O importante saber que esses genes podem se manifestar, isto é, causar obesidade ou nunca mostrarem qualquer efeito. Hoje se atribui um maior importância as circunstancias ambientais ou orgânicas associadas O ambiente tem um enorme papel: quando existe abundância de "comida", excessiva tensão emocional , alterações hormonais, os genes se manifestam e causam a obesidade
Apenas 6% dos obesos já têm diagnóstico genético confirmado (defeitos no sistema leptina-melano-cortina). Quando não é produzida leptina, a criança ganha peso desde os 2 anos de idade. O tratamento é realizado com injeções de leptina com excelentes resultados. Provavelmente outros genes que influenciam o aparecimento da obesidade mas não foram descobertos
Hoje os especialistas dessa área já admitem com alguma certeza que a obesidade que se manifesta desde a fase escolar (6-7 anos), que é progressiva e persistindo na fase adulta tenha uma origem genética. Fica com uma comprovação maior se essa criança tiver uma história familiar de diabetes e obesidade. Ajuda a confirmar a causa genética o fato que os vários tratamentos instituídos resultam em insucesso ( produzindo o efeito gangorra, com perdas de peso significativas e a volta dos mesmo em tempo mínimo de dieta livre). A obesidade tipo androide na mulher certamente tem grande componente genético Tipo andróide é que tem a gordura localizada na cintura, pernas grossas, pouco seio e torax pequeno.O tratamento para o obeso suspeito de ter embasamento genético deve ser individualizado e somente iniciado após exames laboratoriais. Deve ser contínuo, isto é, por alguns anos, com indicação de mudanças no estilo de vida. O obeso genético não tem a possibilidade de ser magro. Perderá peso, em limite fixado pelo médico, mas sempre ficará com sobrepeso.
O obeso deve saber que as complicações são inevitáveis e para ter melhor qualidade de vida, devera procurar ter o menor numero de complicações cardiovasculares, evitar o diabetes e complicações renais A dieta é item fundamental, espera-se no futuro que a genética possa orientar a dieta especifica para cada obeso baseado no seu genoma. Com certeza cada gene determinante de obesidade deverá manifestar-se diferentemente, atingindo menor gasto energético, maior formação de gordura, alterações do nível de insulina, etc. Cada um destes pontos poderá ter uma nutrição diferente.
A.I Blakemore e colaborador ,endocrinologistas Hospital Hammersmith, de Londres afirmam que as evidências atuais da ação genética na obesidade sublinha a importância de mecanismos neuroendócrina de regulação do apetite Embora tenha havido alguns progressos recentes muito animador no esclarecimento de mecanismos genéticos subjacentes a obesidade, estamos ainda muito longe de explicar a sua grande influencia no aparecimento da adiposidade. As investigações sobre diferentes formas de variação genética , tais como a presença de um polimorfismo(muitos genes), pode ampliar a compreensão da influenia genética na obesidade

Fonte :: J Clin Endocrinol Metab. 2008 Nov;93(11 Suppl 1):S51-6

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