A artrite, longe de ser um mal da velhice,
está na mira de uma nova
geração
de medicamentos
está na mira de uma nova
geração
de medicamentos
A BOA MALHAÇÃO
O engenheiro Adriano Costa ganhou músculos para combater a
artrite reumatóide, doença que impedia Roseli Gomes (acima) de amarrar os
sapatos
O primeiro sintoma pode ser uma pontada no joelho ou a fisgada que desce do quadril à panturrilha. Quem sofre de artrite, a degeneração das articulações que vem ganhando abrangência de epidemia, costuma atribuir os sinais iniciais aos excessos do futebol ou à vida sedentária. Afinal, dor nas juntas é indício de velhice, certo? Engano. O crescimento do diagnóstico de artrite em pessoas em idade produtiva levou a Organização Mundial de Saúde a deflagrar a Década do Osso e da Articulação, movimento internacional que pretende reduzir o mal até 2010. O arsenal de combate é composto de controle da obesidade, atividade física e novos remédios.
Calcula-se que mais da metade da população acima de 45 anos apresenta algum sinal de osteoartrite, a mais comum entre as mais de 100 formas da doença. Também conhecida como artrose, caracteriza-se pelo colapso da cartilagem que amortece o peso do corpo sobre as articulações. O problema é causado por múltiplos fatores, como flacidez muscular, tendões e ligamentos subutilizados e variações genéticas que levam algumas pessoas a ter cartilagens menos resistentes que outras. Mas está provado que os danos são provocados tanto pela escassez como pelo excesso de atividade física.
Não é à toa que jogadores de vôlei padecem de osteoartrite nos ombros e bailarinas passam maus bocados com dores nos tornozelos. O mesmo acontece com esportistas ocasionais, que abusam das aulas de step ou ginástica aeróbica nas academias. Todos esses fatores, agravados pelo aumento da obesidade, que sobrecarrega as articulações, explicam o avanço da doença.
'A prevalência da artrite na população mundial é espantosa e pode transformar o portador em excluído social ou dependente da família', diz Caio Moreira, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia. No caso da osteoartrite, prevenir é melhor que remediar. Os parcos recursos para enfrentá-la se resumem a remédios para aliviar a dor ou, em casos gravíssimos, implantação de próteses nas juntas destruídas.
Calcula-se que mais da metade da população acima de 45 anos apresenta algum sinal de osteoartrite, a mais comum entre as mais de 100 formas da doença. Também conhecida como artrose, caracteriza-se pelo colapso da cartilagem que amortece o peso do corpo sobre as articulações. O problema é causado por múltiplos fatores, como flacidez muscular, tendões e ligamentos subutilizados e variações genéticas que levam algumas pessoas a ter cartilagens menos resistentes que outras. Mas está provado que os danos são provocados tanto pela escassez como pelo excesso de atividade física.
Não é à toa que jogadores de vôlei padecem de osteoartrite nos ombros e bailarinas passam maus bocados com dores nos tornozelos. O mesmo acontece com esportistas ocasionais, que abusam das aulas de step ou ginástica aeróbica nas academias. Todos esses fatores, agravados pelo aumento da obesidade, que sobrecarrega as articulações, explicam o avanço da doença.
'A prevalência da artrite na população mundial é espantosa e pode transformar o portador em excluído social ou dependente da família', diz Caio Moreira, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia. No caso da osteoartrite, prevenir é melhor que remediar. Os parcos recursos para enfrentá-la se resumem a remédios para aliviar a dor ou, em casos gravíssimos, implantação de próteses nas juntas destruídas.
O AVANÇO DA OSTEOARTRITE
A doença se caracteriza pelo colapso da cartilagem nas articulações, causado por sedentarismo ou excesso de atividade física
1. Cartilagem saudável
Feita de água, proteínas e açúcares, amortece o peso sobre o joelho
2. Cartilagem doente
Quando degradada, deixa de absorver o atrito entre os ossos e provoca dor
As estruturas envolvidas na evolução da moléstia
3. Músculos
Quando estão flácidos, elevam o estresse sobre o joelho
4. Inflamação
O sistema imunológico ataca a cartilagem degradada e produz um doloroso inchaço
5. Tendões e ligamentos
Se enfraquecidos, contribuem para o colapso da articulação
6. Ossos
Mudanças na estrutura óssea alteram as articulações e danificam a cartilagem
1. Cartilagem saudável
Feita de água, proteínas e açúcares, amortece o peso sobre o joelho
2. Cartilagem doente
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Quando degradada, deixa de absorver o atrito entre os ossos e provoca dor
As estruturas envolvidas na evolução da moléstia
3. Músculos
Quando estão flácidos, elevam o estresse sobre o joelho
4. Inflamação
O sistema imunológico ataca a cartilagem degradada e produz um doloroso inchaço
5. Tendões e ligamentos
Se enfraquecidos, contribuem para o colapso da articulação
6. Ossos
Mudanças na estrutura óssea alteram as articulações e danificam a cartilagem
Infográfico de Erika Onodera sobre foto de Maurilo Clareto/ÉPOCA
A boa notícia é que uma nova geração de drogas enfrenta a artrite reumatóide, a inflamação nas articulações que atinge 1,6 milhão de brasileiros. A doença é crônica e hereditária (parentes de primeiro grau dos afetados correm risco 16 vezes maior de apresentar o problema), mas costuma ser disparada por infecção viral ou estresse emocional. Ela produz inchaço doloroso, rigidez articular e deformações posturais que podem levar o paciente à cadeira de rodas. A artrite reumatóide aflora até mesmo na infância, mas a maioria das vítimas tem entre 35 e 55 anos.
A professora de educação infantil Roseli Gomes Lopes, de 46 anos, sofre de artrite desde 1995. Tudo começou com uma dor aparentemente banal nos punhos, que depois se estendeu aos joelhos e aos pés. Roseli ficou impossibilitada de executar tarefas do dia-a-dia como dobrar roupas, pentear os cabelos ou amarrar o cadarço dos sapatos. Foi obrigada a desistir de ser mãe. 'Não podia levantar um copo, e hoje já faço supermercado sozinha', comemora.
Ela começa a recuperar a independência graças ao tratamento com um coquetel de remédios de uma classe de medicamentos que não traz a cura, mas interrompe os danos nas articulações. Eles combatem a proteína responsável pelo avanço da inflamação sobre as células sadias.
Um deles, o Remicade, do laboratório Schering-Plough, é o único disponível no Brasil. Mas outras drogas semelhantes vêm aí, como o Enbrel, do laboratório Wyeth, o Kineret, do Amgen (já lançado nos Estados Unidos), e a substância adalimumab, do Abbot, que deve ser aprovada pelas autoridades sanitárias americanas no início de 2003. Apesar de eficazes, esses lançamentos trazem certos inconvenientes. Devem ser injetados em ambulatório, custam cerca de R$ 5 mil por mês e terminam por deprimir o sistema imunológico, abrindo espaço para infecções.
As novas drogas são caras e causam importantes efeitos colaterais, mas devolvem qualidade de vida a pacientes que não melhoravam com os remédios convencionais', explica a reumatologista Evelin Goldenberg, professora de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo.
A boa notícia é que uma nova geração de drogas enfrenta a artrite reumatóide, a inflamação nas articulações que atinge 1,6 milhão de brasileiros. A doença é crônica e hereditária (parentes de primeiro grau dos afetados correm risco 16 vezes maior de apresentar o problema), mas costuma ser disparada por infecção viral ou estresse emocional. Ela produz inchaço doloroso, rigidez articular e deformações posturais que podem levar o paciente à cadeira de rodas. A artrite reumatóide aflora até mesmo na infância, mas a maioria das vítimas tem entre 35 e 55 anos.
A professora de educação infantil Roseli Gomes Lopes, de 46 anos, sofre de artrite desde 1995. Tudo começou com uma dor aparentemente banal nos punhos, que depois se estendeu aos joelhos e aos pés. Roseli ficou impossibilitada de executar tarefas do dia-a-dia como dobrar roupas, pentear os cabelos ou amarrar o cadarço dos sapatos. Foi obrigada a desistir de ser mãe. 'Não podia levantar um copo, e hoje já faço supermercado sozinha', comemora.
Ela começa a recuperar a independência graças ao tratamento com um coquetel de remédios de uma classe de medicamentos que não traz a cura, mas interrompe os danos nas articulações. Eles combatem a proteína responsável pelo avanço da inflamação sobre as células sadias.
Um deles, o Remicade, do laboratório Schering-Plough, é o único disponível no Brasil. Mas outras drogas semelhantes vêm aí, como o Enbrel, do laboratório Wyeth, o Kineret, do Amgen (já lançado nos Estados Unidos), e a substância adalimumab, do Abbot, que deve ser aprovada pelas autoridades sanitárias americanas no início de 2003. Apesar de eficazes, esses lançamentos trazem certos inconvenientes. Devem ser injetados em ambulatório, custam cerca de R$ 5 mil por mês e terminam por deprimir o sistema imunológico, abrindo espaço para infecções.
As novas drogas são caras e causam importantes efeitos colaterais, mas devolvem qualidade de vida a pacientes que não melhoravam com os remédios convencionais', explica a reumatologista Evelin Goldenberg, professora de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo.
ARSENAL
As novas drogas só devem ser utilizadas quando os recursos
tradicionais falham, diz a médica Evelin
O tratamento da artrite reumatóide não se resume aos medicamentos. Ele deve incluir ainda um bom programa de atividade física, com perda de peso para reduzir o estresse sobre joelhos e tornozelos, caminhadas que diminuem a sensação de fadiga, hidroginástica e musculação. Mais do que o estica-e-puxa das academias, o uso de pesos para fortalecer músculos, tendões e ligamentos virou um grande aliado da saúde das articulações.
Aos 42 anos, o engenheiro civil amazonense Adriano Bernardo Costa faz musculação com uma fisioterapeuta no próprio consultório da reumatologista. 'Melhorei muito', conta. 'Criei músculos e as dores passaram.' Além da malhação, Costa é tratado com medicamentos e sessões semanais de acupuntura para aliviar a tensão.
Acompanhamento psicológico também é fundamental. Os médicos observam que a artrite reumatóide aparece preferencialmente entre os perfeccionistas. Quem não admite falhar ou se sente na obrigação de ser o esteio da família prepara o terreno para que a doença hereditária surja.
Por incrível que pareça, aprender a lidar com as contrariedades é a primeira receita para combater a moléstia. 'Muitos pacientes não melhoram da artrite porque o salário está estacionado ou o casamento vai mal', diz o reumatologista Caio Moreira. A depressão, muito comum nesses casos, precisa ser combatida com medicamentos e terapia para barrar o círculo vicioso que alimenta o colapso das articulações.
Reforço estrutural
Como um novo remédio está vencendo a osteoporose
Um medicamento considerado revolucionário no tratamento da osteoporose, doença que afeta uma em cada três mulheres após a menopausa, foi aprovado há duas semanas pelas autoridades sanitárias americanas. Batizada de Fortéo, a nova droga induz o crescimento dos ossos. Até então, os melhores remédios disponíveis apenas conseguiam deter a perda de massa óssea. 'Pela primeira vez, será possível reverter a degeneração', aposta o reumatologista Sebastião Radominski, da Universidade Federal do Paraná.
ANTES DEPOIS
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As falhas de um osso com osteoporose são reveladas pela imagem de tomografia computadorizada Após o tratamento, os filamentos internos do osso crescem e ganham espessura outra vez
O inconveniente do Fortéo é a forma de administração. O paciente toma uma injeção diariamente durante todo o tratamento, que dura de 18 a 24 meses. O aplicador é uma caneta-seringa semelhante à usada pelos diabéticos. O produto deverá chegar ao mercado americano antes de março e, no Brasil, até o fim de 2003. Avaliações iniciais mostraram que usuárias do Fortéo ganharam até 14,6% de massa óssea. 'Novos estudos poderão dizer se é possível recompor mais osso em tratamentos mais longos', diz Oswaldo Braco, pesquisador da Eli Lilly, empresa que desenvolveu o produto. Estudos organizados por 24 centros de pesquisa com 2.800 americanas indicaram que a droga reduziu em 65% os riscos de fraturas na coluna e em 53% nas outras partes do corpo. 'É a garantia de que o remédio pode melhorar a vida dos pacientes', diz Radominski.
Alexandre Mansur
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